Caro leitor(a),
Toda empresa colapsa duas vezes. A primeira quase nunca aparece nos números.
Ela acontece dentro de você. Naquela reunião em que alguém sugere um produto novo, uma frente digital, uma mudança no modelo. E a sua primeira reação não é curiosidade. É defesa.
Você ouve, pondera, faz perguntas que parecem racionais. Mas por dentro, alguma coisa já decidiu que é melhor não mexer.
Você chama isso de prudência. Às vezes é mesmo.
Mas se você for sincero consigo mesmo agora, sabe que em algumas dessas vezes é só medo usando uma roupa mais respeitável.
Sua empresa ainda fatura. Os clientes ainda compram. Os bancos ainda atendem sua ligação. Não existe incêndio declarado.
E é exatamente por isso que a situação pode ser perigosa.
Porque empresas raramente começam a colapsar fazendo barulho. Elas cedem por dentro. Uma rachadura pequena na margem. Um atraso que virou rotina. Um cliente grande que reduz os pedidos.
E você, no meio de tudo isso, respondendo a tudo, resolvendo tudo, segurando tudo.
Se você se afastasse da sua empresa por sessenta dias, o que continuaria funcionando bem — e o que começaria a revelar fragilidade?